quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Vamos apostar
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Serei a única besta a reparar nisto???
Mas antes que me caiam em cima deixem-me fazer a ressalva: não é apenas ali naquele órgão de comunicação social que, diga-se de passagem, embora destinado à cambada mais jovem que por inerência não pensa (deverá ser essa a filosofia subjacente ao teor do referido jornal) é pertença e responsabilidade do Estado, logo deveria brindar-nos com o já proverbial e desaparecido em parte incerta serviço público (mas talvez a ideia seja mesmo essa: somos todos muito burros e precisamos que as noticiazinhas nos sejam servidas várias vezes e usando precisamente as mesmas palavras porque óssenão a malta não percebe e ópois chumba no 7º, 8º e 9º ano e a Milu vê ir por água abaixo as suas magníficas taxas de sucesso escolar - é isso!). Não, não é só na Antena 3 que o ouvinte é brindado com o bloco noticioso em versão playlist até cair de enjôo. Também a SIC Notícias e a RTP N (a TVI não consumo por isso não me pronuncio) são adeptas da clonagem informativa. O repórter dirige-se ao local do acontecimento (quando se dirige, mas este assunto ficará para outra posta). Recolhe som, imagem e, quiçá, se o precioso tempo o permitir e valores mais altos não se levantarem, alguns dados relevantes. Regressa à redacção o mais depressa possível e em todo o caso antes de se transformar numa abóbora. Monta uma única peça com o material de que dispõe. Uma só, uminha, que será passada no próprio dia no canal-mãe e no canal de notícias até que os seus mais fieis espectadores - mesmo os surdos - sejam capazes de a reproduzir vogal por vogal e consoante por consoante. E no dia seguinte, com um pouco de sorte, ainda temos direito à repetição da dita mas sem ser requentada - isso gastaria recursos preciosos à estação -, que é como quem diz: se a peça dizia "hoje" continua a ser "hoje" embora qualquer criança de quatro anos entenda que "hoje" passou a ser "ontem", mas, then, again, isso não interessa nada, não é? E se até os putos percebem, os adultos não precisam que lhes expliquem.
Devo ser um tipo mesmo pré-histórico mas quando (no tempo das cavernas) estudei jornalismo radiofónico o ancião que me dava formação e que só por acaso era uma referência no ensino deste meio em Portugal costumava dizer: "Peça editada é peça arquivada". Mas provavelmente é por eu ter estes conceitos ultrapassados que eles têm emprego, 13º e 14º mês e eu devo quase três anos de contribuições à segurança social (e ponho maiúsculas se me apetecer, nhanhanhanhanha).
terça-feira, 25 de novembro de 2008
O importante é parecer
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Conversas com um ET
Português- Tenho um falso emprego.
ET- Luta mais. Todos sabemos que o positivismo e o trabalho árduo recompensam.
Português- Neste País não.
ET- Então e o mérito?
Português- Não conta. Conta mais a cor política e a cunha.
ET- Mesmo se fores mau?
Português- Sim.
ET- Há sempre os concursos públicos, que analisam a pessoa pelo perfil, pelo percurso e pelas competências.
Português- Não. São feitos expressamente para meter o amigo. Ou então para conferir legalidade a uma situação ilegal. Contrata-se, despede-se, contrata-se novamente.
ET- Mas isso não é em todo o lado, certamente. O Estado é pessoa idónea.
Português- É em todo o lado, principalmente no Estado.
ET- Ó português, isso quer dizer que estais entregues à sorte?
Português- Basicamente.
ET- Tenho uma sugestão.
Português- Sim?
ET- Extermínio e recomeço.
Português- Ah.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Estratégias de marketing
- Manter o clima de ameaça ao rubro.
- Pagar salários diferentes a editores a desempenhar a mesma função na mesma secção.
- Cortar privilégios
- Trocar chefes de umas secções para as outras, ao sabor das necessidades do momento.
- Passar colaboradores a editores, ao preço da chuva.
- Lançar boatos, de quando em vez, a anunciar despedimentos de centenas de pessoas, a fim de manter o terror e o pânico.
- Não conversar, exigir e desrespeitar gente com anos de trabalho.
- Não conversar, exigir e desrespeitar novatos.
-Não conversar, exigir e desrespeitar colaboradores, correspondentes, gente dos quadros, vai tudo à frente.
- Dar abraços compreensivos pela frente e fazer a cama por trás.
- Alterar as políticas editoriais para algo indefinido, uma qualquer amálgama de ordens hierárquicas, sem fio condutor e sem estratégia compreensível.
- Fomentar a maledicência e o mau ambiente.
No fim de tudo, criticar o mau ambiente, o desânimo, a falta de estratégia, as hipocrisias e as hierarquizações e as insubordinações da equipa.
Tipo efeito boomerang.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Parabéns
O João tem razão. No início até era giro. Era o fio de um sonho. Anos depois, com talento ou sem ele, vemo-nos todos com a credibilidade obliterada. Até o brio que nos alimentou durante anos, começa a perder sentido. Na sociedade, as pessoas a partir das quais fazemos nascer notícias e reportagens, até nos respeitam, conhecem e sabem dos nossos méritos. Os colegas também. Recebemos prémios, cartas de agradecimento, envolvemo-nos em polémicas pelas cachas escritas. Fazemos o mundo à volta mexer. Mas who cares?. Para os recursos humanos, somos máquinas. Para os patrões, números. Para os editores, moços de recados. A mais recente "moda" que isola cada vez mais o profissional é o de acreditar sempre em quem nos desmente e publicar todo e qualquer direito de resposta, difamatório ou não. Não adianta implorar com garantias de verdade ou até provas físicas. O importante é deixar os "tubarões"sossegados. Aos poucos, o jornalista deixa de querer escrever temas fortes. Um dia, ficar-nos- emos todos pela inaguração da exposição do filho do patrão. Ou pela cor fabulosa com que a Lili Caneças pintou a bardaneja.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Assim como assim
Um assalto aparatoso, capuzes, armas. O jornalista, desta vez, não vai na cantiga. Dá uma telefonadela para aqui, outra para o outro lado, faz um texto com o que tem e... está mal feito, que peça é esta, devias ter ido ao local, queremos discurso directo para fazer uma abertura de secção. Que porcaria de jornalista, dizem os editores, para que se ouça e corra toda a redacção até ao gabinete dos crânios.
Os critérios de importância são os da vontade do momento, que novidade. Os factos, esses, nem têm relevância nenhuma para o caso. Se a notícia merece mil caracteres ou três mil. Para o editor, em ambas as situações o jornalista é que não soube perceber a magnitude da ocorrência. No primeiro caso, por excesso. No segundo, por defeito.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Lição de jornalismo
Há já umas largas décadas que se abandonou, nas universidades, aquela teoria do jornalista "isento". Nem sei se alguma vez, desde que o jornalismo é "ensinado" ao nível da licenciatura, foi transmitida aos estudantes essa filosofia (pelo menos de forma dominante). Ninguém com dois dedos de testa acredita nisso. A busca da verdade, da transmissão dos factos sem os falsear, o estímulo para que se procure sempre apresentar o maior número possível de pontos de vista para uma determinada questão não significa de forma alguma que se pretenda que o jornalista abdique das suas ideias, opiniões e posições políticas. Antes pelo contrário! De outro modo, qual teria sido o papel dos nossos antecessores no combate à ditadura? E de todos os que, noutros países, se batem, às vezes pagando com a própria vida, pelo direito e pelo dever de informar?
Mas, then, again, talvez nos últimos 15/20 anos, o paradigma se tenha alterado novamente. E se queira adequar os futuros profissionais àquilo que os empregadores (aparentemente) procuram: jovens com pouca ou nenhuma capacidade crítica, sem opinião, incapazes de tomar uma atitude, nem sequer quando o que está em causa lhes diz directamente respeito. Uma geração de funcionários submissos e prontos a aceitar condições laborais e de remuneração que não o são, que não o eram há vinte anos. Condições que lembram, aliás, tempos anteriores à revolução industrial. Pronto, vá lá, contemporâneos desta. Acéfalos trabalhadores em cadeia cujo grau de especialização consiste em saber esticar ou encolher textos de forma a fazê-los caber em páginas pré-formatadas, com um conteúdo previamente encomendado e decidido em reunião de editores, quando não no departamento comercial da empresa. Sim, da empresa, pois trata-se tão somente de vender jornais, revistas ou quejandos como se poderiam vender chouriços ou salsichas. O melhor empregado é mestre na arte do enchido. Sabe como ninguém embalá-lo dentro de um de três celofanes coloridos e mui apreciados pelo patrão: Rosa-sexo, vermelho-sangue, amarelão-escândalo. Tudo o resto "não interessa nada". O espírito de missão, a função de denúncia são espécies em vias de extinção. Pesquisa? Investigação? Esquece lá isso, faz por telefone. E não demores muito que ainda tens de fazer vinte e três chamadas para saber o que a Babá pensa do novo visual da Xuxú (meia página). E ir à festa de lançamento do livro infantil da Pipi para adormecer criancinhas de tédio (página inteira). E dar a conhecer aos leitores a linha de cosméticos da Lelé, a hipercolunável cunhada em terceiro grau do administrador. Na compra de um frasquinho de 10 ml de perfume de azeda a 69 aéreos, está a contribuir com um cêntimo para a obra de solidariedade social da Totó, que por acaso até é prima da mulher do director comercial (página e meia).
Tens razão, I. O jornalista não deve ter opinião. Nem tomates. Nem coluna vertebral. Pensando bem, talvez devesse ser substituído por um robô...
Morreu a Rute Cruz
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Levantem-se, vá!

Eu sei que já é um pouco em cima da hora, mas...
JORNADA EUROPEIA PELO JORNALISMO E PELAS CONDIÇÕES DOS JORNALISTAS
JORNALISMO – PROFISSÃO DIGNA, PROFISSIONAIS COM DIREITOS
DEBATE-TERTÚLIA 5 DE NOVEMBRO
Sede do Sindicato dos Jornalistas – 21 horas
(Rua dos Duques de Bragança, 7 – E – Lisboa, ao Chiado)
Apresentação do perfil sociológico dos jornalistas portugueses
pelo Prof. Doutor José Rebelo (ISCTE)
O Jornalismo está em transformação. Quem o transforma – os jornalistas ou as empresas?
Dizem que o paradigma mudou. Quem o mudou – o mercado ou os cidadãos?
Dizem que a legislação laboral é rígida. Quem pensa e age como no tempo da Revolução
Industrial – os patrões ou os trabalhadores?
Dizem que há liberdade de emprego. Quem manda na liberdade?
Os jovens não têm emprego e os seniores são expulsos das redacções. Quem ganha com a
disputa intergeracional pelo posto de trabalho?
Precariedade no Jornalismo: o que ganham as empresas e o que perdem os cidadãos.
OS JORNALISTAS TÊM A PALAVRA
Toca a escrever!!!
Caríssimos editores
É por ela não concordar com tudo?
É por ela não ser sempre pau mandado?
É por não conseguir ser tipo bola saltitona que devora quilómetros, caladinha e contente, sem ninguém lhe pagar despesas?
É não conseguir estar aqui e além, à velocidade da luz, tipo correio expresso, mas muito, muito mais rápido e ainda mais e mais eficaz?
É muito de vez em quando ter vida própria?
É porque de vez em quando se queixa?
É porque fala?
É porque é uma pessoa?
É porque faz chichi?
Pois. Têm razão. Mas que vaca rezingona.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Pobre Ticha
Green, green
Uns desclassificados, é o que é. O Zé Palinhas que é comercial atende o telefone e diz que não, não, esse senhor não é jornalista, está à peça, é melhor ligar mais tarde para um jornalista a sério. Em caso de tragédia que faz urgentes as mãos de todos, ó Miquelina tu não falhes esse serviço, faz coisa em grande, que o pedido veio da direcção. E a ralé cumpre e cala. Borrada de medo. Vem o Barbichas que é autarca pequenino e diz: estes jornaleiros ganham à peça, têm de fazer pingar sangue, nem que seja à custa de aldrabices. Mas se vier o camelo do semanário fazer reportagem recalcada sobre algo escrito centenas de vezes, é glorioso, ganha importância. Ganha este brilho megalómano que tanta falta faz ao País.